Quando o texto da tela remota fica sujo, o primeiro reflexo é aumentar a qualidade da imagem. Às vezes funciona. Muitas vezes não muda quase nada, e o motivo é que o estrago aconteceu antes da compressão.
Dois jeitos diferentes de perder qualidade
Um programa de acesso remoto economiza banda de duas formas. Ele pode comprimir mais, guardando menos detalhe de cada pedaço da imagem, ou pode encolher a tela, mandando uma imagem menor que depois é esticada de volta na sua janela.
As duas economizam. Só que uma delas custa muito mais caro.
A medição
Comparamos a tela original com a que chega do outro lado, usando PSNR, que mede em decibéis o quanto duas imagens diferem. Acima de 40 dB ninguém enxerga diferença; entre 30 e 35 dá para trabalhar; abaixo de 30 o texto pequeno começa a sujar.
Numa tela cheia de texto miúdo, 1280 por 720:
| O que foi feito | Resultado | Tamanho do quadro |
|---|---|---|
| Tamanho real, qualidade 80 | 39,9 dB | 142 KB |
| Tamanho real, qualidade 40 | 32,2 dB | 94 KB |
| Metade do tamanho, qualidade 80 | 22,7 dB | 35 KB |
Derrubar a qualidade pela metade custou 7,7 dB. Encolher a imagem pela metade custou 17,2 dB, ou seja, 9,5 dB a mais. Em texto, essa diferença é a distância entre "dá para ler" e "não dá".
A conclusão prática: se precisa economizar banda, comprima mais antes de reduzir o tamanho. E se a tela remota está borrada, verifique primeiro se o programa não está mandando uma imagem menor que a sua janela.
Por que encolher dói tanto em texto
Letra na tela é feita de traços de um ou dois pixels. Quando a imagem é reduzida pela metade, dois pixels viram um, e a informação que distinguia um "e" de um "c" simplesmente não existe mais. Esticar de volta não inventa o que foi jogado fora: só borra o que sobrou.
Compressão é diferente. Ela guarda uma versão aproximada de cada pedaço, mas o pedaço continua lá, do tamanho certo. Por isso o texto continua legível mesmo com bastante compressão.
O detalhe da cor
Existe uma terceira economia, menos conhecida: jogar fora metade da informação de cor e guardar só o brilho. Em foto isso é quase de graça, porque o olho humano percebe muito mais brilho que cor.
Em tela de sistema, não. As bordas suavizadas das letras vivem justamente na cor. Medimos num trecho com link azul, alerta vermelho e etiqueta de situação: manter a cor inteira rendeu 4,1 dB na mesma qualidade. Em texto preto sobre branco a diferença foi zero, porque ali não há cor para descartar.
Por isso o Deskta manda a cor inteira sempre que a qualidade pedida é boa, e só economiza cor quando a pessoa já abriu mão da nitidez de propósito.
O que fazer na prática
- Se a imagem está borrada, olhe se o programa não está reduzindo a resolução. Aumentar só a qualidade não resolve esse caso.
- Se a resposta do mouse está lenta, aí sim vale reduzir alguma coisa, e a compressão é o primeiro lugar a mexer.
- Maximizar a janela do programa costuma ajudar mais do que parece: janela menor que a tela remota faz o redimensionamento acontecer de qualquer jeito.
No Deskta, durante a sessão, Ctrl+Alt com as setas para cima e para baixo ajusta a qualidade sem reconectar.